Cancro do ânus

"Deve procurar-se preservar a função anal, garantindo a melhor qualidade de vida possível."

DRA. LUCÍA CENICEROS PAREDES
ESPECIALISTA. ÁREA DE CANCRO GASTROINTESTINAL

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em Oncologia Médica. Clínica Universidad de Navarra

O que é o cancro do ânus?

O cancro do ânus ou cancro anal é um tipo de tumor pouco frequente. Representa 5% de todas as neoplasias anorretais e 1,5% dos tumores gastrointestinais.

O canal anal é a porção terminal do intestino grosso e corresponde a uma estrutura tubular de 3-4 cm que se estende desde a pele perianal até ao final do recto. Encontra-se revestido, na sua porção superior, por mucosa de tipo rectal; na sua zona média (coincidindo com a linha de interfase pectínea), por mucosa transicional e, no seu segmento inferior, por uma mucosa com epitélio escamoso estratificado. 

Os tumores que se desenvolvem nesta região classificam-se em tumores de tipo escamoso e tipo epidermoide, e naqueles com uma linha de diferenciação para adenocarcinoma (embora, no conjunto dos carcinomas do canal anal, esta seja uma entidade rara).

Devido à complexidade cirúrgica desta patologia, é imprescindível recorrer a centros especializados. A Clínica Universidad de Navarra dispõe de uma equipa médico-cirúrgica altamente qualificada no diagnóstico e tratamento de doentes com cancro do ânus.

Além disso, realizamos um seguimento por parte do serviço de enfermagem que contribui para um melhor controlo sintomático, das sequelas cirúrgicas e para favorecer a rápida recuperação dos nossos doentes. 

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Quais são os sintomas do cancro do ânus?

Cerca de 20% dos doentes com cancro do ânus são assintomáticos. No entanto, de seguida detalhamos alguns dos principais sintomas que podem estar associados a este tipo de cancro.

Sangramento anal

Este é o sintoma mais comum e costuma ser um dos primeiros sinais do cancro do ânus. Surge em cerca de 45% dos casos. 

Dor ou sensação de pressão no ânus

Algumas pessoas sentem dor ou desconforto persistente na região anal. Esta sensação pode intensificar-se ao sentar-se ou durante a evacuação intestinal.

Comichão ou prurido anal

A sensação de comichão na região anal, embora possa parecer um sintoma menor, pode estar relacionada com alterações no tecido anal.

Nódulos ou massas na zona anal

O aparecimento de nódulos, protuberâncias ou de uma massa à volta do ânus é um sintoma que nunca deve ser ignorado. Estas formações podem ser visíveis ou palpáveis e podem indicar um crescimento anómalo de tecido.

Alterações nas dejeções

Modificações dos hábitos intestinais, como diarreia, obstipação persistente ou alterações na forma das fezes.

Secreção anómala

Algumas pessoas podem apresentar uma secreção anómala na região anal, que pode estar associada a tumores anais.

Inflamação dos gânglios linfáticos

Em alguns casos, os gânglios linfáticos próximos do ânus ou da região inguinal podem aumentar de volume ou inflamar, o que pode ser um sinal de disseminação da doença.

Apresenta algum destes sintomas?

Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas mencionados,
deve procurar um médico especialista para o seu diagnóstico.

Quais são as causas?

Foram identificados vários fatores de risco para o desenvolvimento de tumores no canal anal. Entre estes destacam-se as infeções por determinados vírus, como o Vírus do Papiloma Humano (VPH) e o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH)

Outro fator relevante é o consumo de tabaco, uma vez que as substâncias carcinogénicas presentes no fumo podem favorecer alterações anormais no tecido anal.

A presença de fístulas perianais crónicas, associadas ou não à doença de Crohn, constitui um importante fator de risco, sobretudo quando se tornam crónicas e ultrapassam os 10 anos de evolução.

Por outro lado, o linfogranuloma venéreo (LGV), uma infeção sexualmente transmissível, também está associado ao desenvolvimento de estenoses e fístulas perianais, condições que podem comprometer a saúde anal. A presença destas alterações contribui para um maior risco de desenvolvimento de tumores no canal anal.

Qual é o prognóstico?

De um modo geral, os tumores do canal anal representam uma doença potencialmente curável, especialmente quando diagnosticados numa fase precoce. A deteção atempada permite iniciar o tratamento antes da progressão da doença, melhorando as probabilidades de recuperação e sobrevivência.

Entre os fatores prognósticos que influenciam a evolução do tumor destacam-se o seu tamanho e o envolvimento dos gânglios linfáticos, estando ambos diretamente relacionados com o prognóstico e a agressividade do cancro.

As taxas de sobrevivência aos cinco anos variam de acordo com o estádio no momento do diagnóstico. Nos tumores em estádio T1 e T2, diagnosticados em fases iniciais, a sobrevivência global aos cinco anos é de 86%. Em contrapartida, nos estádios avançados, esta taxa diminui para 45%, o que reforça a importância da deteção precoce e do tratamento adequado.

Como é diagnosticado o cancro do ânus?

O diagnóstico requer uma avaliação por um médico especialista. Perante suspeita clínica, deve ser realizado um exame retal digital, que permite detetar alterações no tamanho, forma ou consistência.

O estudo deve ser complementado com a realização de uma anuscopia (procedimento médico que permite observar o canal anal e a parte inferior do reto), possibilitando a visualização direta e a realização de uma biópsia da lesão. Em alguns casos, devido à inflamação ou infiltração da lesão, este exame pode ser doloroso, sendo realizado sob anestesia.

Após a confirmação diagnóstica, o estudo é completado com a realização de uma TAC (Tomografia Axial Computorizada) e de uma RMN (Ressonância Magnética Nuclear) pélvica.

Como é tratado o cancro do ânus?

Deve procurar-se preservar a função anal com a melhor qualidade de vida possível.

O tratamento com radioterapia associada a quimioterapia concomitante é o tratamento curativo para a maioria dos doentes com cancro do canal anal localmente avançado.

A combinação de técnicas de irradiação externa com braquiterapia, em casos selecionados, permite obter taxas de resposta completa e de cura superiores a 70%. 

Do mesmo modo, em casos selecionados, o tratamento com protonterapia pode reduzir os efeitos secundários e melhorar a tolerância ao tratamento.

A quimioterapia é um tratamento médico que consiste na administração de substâncias químicas ao organismo. Pode ser administrada principalmente por via intravenosa ou oral, embora existam outras vias de administração.

Em alguns casos, para a administração intravenosa, é necessária a colocação de um dispositivo denominado port-a-cath. Este reservatório subcutâneo é constituído por uma membrana de silicone e um cateter introduzido na veia subclávia até atingir a veia cava superior.

O tratamento é administrado segundo um esquema específico, dependendo do regime escolhido. Antes de cada administração, é necessária uma avaliação clínica do doente e a realização de análises laboratoriais.

Cada administração denomina-se ciclo. Existem tratamentos em que cada ciclo se divide em várias sessões, dependendo do esquema terapêutico utilizado.

A cirurgia não é utilizada como tratamento inicial, devido ao risco de necessidade de remoção do esfíncter anal e consequente colostomia permanente. 

No entanto, se o tumor não responder às terapêuticas aplicadas, pode ser necessária uma resseção abdominoperineal, procedimento no qual são removidos a parte inferior do cólon, o reto e o ânus. 

Dada a complexidade cirúrgica desta patologia, é fundamental recorrer a centros especializados. A Clínica Universidad de Navarra dispõe de uma equipa médico-cirúrgica altamente qualificada para a realização desta intervenção.

Além disso, é realizado um acompanhamento pelo serviço de enfermagem, que contribui para um melhor controlo sintomático, das sequelas cirúrgicas e para uma recuperação mais rápida dos doentes. 

Colostomia
A colostomia é um procedimento cirúrgico no qual uma extremidade do intestino grosso é exteriorizada através de uma abertura na parede abdominal (estoma). As fezes são eliminadas através do estoma para um saco aderido ao abdómen.

Desde o primeiro momento, a colostomia exige cuidados específicos, que serão explicados de forma detalhada pela equipa de enfermagem especializada neste tipo de sequelas cirúrgicas.

A Área de Cancro Gastrointestinal
do Cancer Center Clínica Universidad de Navarra

A Área de Cancro Gastrointestinal é composta por uma equipa multidisciplinar de especialistas no diagnóstico e tratamento de doenças do trato digestivo.

Inclui especialistas de Gastrenterologia, Radiologia, Anatomia Patológica, Cirurgia e Oncologia Médica e Radioterápica, bem como o apoio de Enfermagem.

Que doenças tratamos?

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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